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16 – Desespero Solitário

by em 14/10/2009

Após ajudar Nancy na tarefa de amarrar as cordas a umas velhas e grossas árvores existentes por ali, Tom reflectiu sobre a suposta alucinação que teve momentos atrás - “será que estou mesmo a ficar maluco ou isto é algum efeito secundário do medicamento?” – pensou Tom, esboçando um sorriso numa curta conversa com os seus botões.

Pois é.. Tom, como muitas as pessoas ligadas à área criminal, e que lidam de perto com os mais macabros factos e com o pior lado do ser humano, tomava um medicamento já há alguns anos receitado pelo seu médico. Não conseguia estar a cem por cento sem o medicamento, que servia exactamente para controlar os seus níveis de ansiedade e algum pânico que pudesse sentir. Enfim, para manter os fantasmas das coisas que ao longo dos anos vira bem fechados dentro de um cofre com muitos cadeados e muitos segredos.

“Ás tantas em vez de tomar um comprimido, tomei dois… Humm, mas não me lembro de ter visto nas contra-indicações nada acerca de alucinações…” – pensava Tom, numa expectativa absurda de que algum dos seus botões pudesse responder à sua dúvida.

Com o passar do tempo, Tom e o resto das pessoas presentes iam ficando cada vez mais inquietos e com a crescente vontade de voltar a bom porto que neste caso seria Porto Buick e assim Tom poder voltar a ver o seu fiel companheiro Black.

Contudo, havia algo em Tom que também estava em crescente e isso era a curiosidade de saber que raio era aquela torre misteriosa avistada na mesma terra em que havia atracado o River Hymn juntamente com Nancy.

Dirigindo-se rapidamente a Nancy, perguntou: “Não poderíamos mesmo ir mais para junto das ruínas? Com certeza encontraremos um abrigo melhor e esta tempestade que aí vem não me parece que vá cessar tão cedo, não é?”

“Se calhar é melhor, mas prometa-me que não se vai armar em explorador e sair da beira do grupo” – replicou Nancy franzindo o sobrolho. Prontamente, Tom assegurou que estaria sempre presente e não iria fazer nada que pudesse deixar Nancy preocupada, mas…

O que a  filha do dono do Porto Buick não sabia era que Tom estava a fazer bluff, e como sempre fazia quando queria dizer uma mentirinha, lá estavam os dedos da mão direita cruzados quando, muito angelicamente, proferiu: “…não tenha qualquer tipo de preocupação, estarei sempre com o grupo e não farei nada sem pedir autorização…”.

Tom não mentia a uma mulher desde os tempos em que estava com Nicole e sempre achou que as mentirinhas não têm muita importância logo que não se transformem em grandes mentiras.

O grupo todo se dirigiu para mais perto da zona onde ficavam as ruínas, mas a maioria não tinha muito interesse em ficar perto destas, talvez porque poderiam encontrar fantasmas, ou bichos gigantes que os poderiam consumir, ou então era só o típico medo de estar no meio de uma espécie de floresta ao anoitecer, no meio de uma tempestade, com a estúpida de uma torre que em nada se assemelhava com uma torre de castelo.

“Pessoal vamos fazer uma fogueira para nos aquecermos, estamos mais ou menos abrigados da chuva nestes rochedos, podemos estar um pouco aqui e esperemos que a tempestade passe e assim voltamos todos para casa…” – dizia Nancy ao grupo, na esperança que este acalmasse a sua inquietude.

Enquanto estava toda gente atarefada em fazer a fogueira, Tom aproveitou – “vai ser agora que vou poder investigar” – pensou. Assim sendo, resolveu dar ouvidos à voz de Black, e até então ainda não sabia se tinha sido alucinação provocada pela sobredosagem do medicamento ou se estava a ficar esquizofrénico.

Chegando à beira da tão intrigante torre proferiu: “Consegui fazer com que ninguém notasse a minha falta, mesmo à detective, eheh…”. Rondou um pouco a zona e realmente era tudo escuro e com bastante vegetação, que de tão densa só de motoserra era possível passar.

“Boa pessoal, temos a fogueira, frio já não passamos. Também há nestas sacas umas sandes especialmente feitas por mim, que devem estar de comer e chorar por mais…(risos)… o único senão é que têm de repartir porque não chega para todos,ok? Muito bom apetite.” – disse Nancy, ainda sem notar a falta de Tom.

“Pooossa!! Estou mesmo a ficar velhote, esta escalada parecia bem mais fácil do que está a ser…” – barafustava Tom, enquanto continuava a sua aventura exploratória, desta feita escalando a perigosa torre em ruínas. Chegando, por fim ao topo, deparou-se com algo surpreendente…

“Que mentiroso que ele me saiu!” – pensa Nancy, ao finalmente dar conta de que Tom não estava entre o grupo – “Adam, desculpe, viu o Tom? – inquiriu Nancy, ligeiramente preocupada – “Não vi.. como pode compreender este grupo é um pouco numeroso, mas não tem nenhuma ideia de onde poderá ter ido?” – perguntou Adam Hall. Ripostando Nancy responde “Tenho uma vaga ideia, e acho que vou precisar de acção policial.”

“Que férias maravilhosas realmente.. E agora estou no cimo de uma torre sombria e sem chão…” – lamenta-se Tom quando repara que a torre esconde um grande e escuro vazio que aparentemente não leva a lado nenhum.

Proferidas estas palavras de desabafo, Tom só consegue rogar pragas a si mesmo, por nem numas supostas férias conseguir ter um momento de paz e sossego, e também por ter deixado o seu companheiro Black no hotel. Perdido nos seus pensamentos, Tom sentiu subitamente uma das pedras constituintes da torre a mover-se e não evitou a precipitação para o interior da torre – “ooooooooooooooohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!!!!!!” – ecoou a voz de Tom, por entre as pedras geladas da torre.

Voltando a si,só conseguiu pensar no desepero, na solidão que estava sentir naquele momento e na dor aguda que sentia nas costas devido à queda.

Entretanto, Nancy e Adam já estavam apostos para iniciar uma “operação de buscas”, enquanto o colega de Adam, Dan Farrow, ficava a tomar conta do grupo – “Adam,está preparado para ir?…” – inquiriu Nancy, continuando – “…vamos tomar a direcção que leva à torre…”. Ao som destas palavras Adam gelou.

As costas ainda doiam,mas um pouco mais suavemente, e com a recuperação parcial das forças, Tom conseguiu erguer-se. “Meu Deus,um túnel??? Onde é que isto irá dar?” – perguntou-se Tom enquanto contemplava um estreito e claustrofóbico túnel iluminado por uma tocha cuidadosamente espetada na parede.

Tom tirou a tocha da parede, inspirou fundo e iniciou uma perigosa exploração subterrânea instigada pela sua extrema curiosidade…

>>Parte 17 – O Santo Graal

De → Partes

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