18 – O Homem de Bata Branca
Tom instintivamente fez o que Katerine recomendou e logo de seguida apareceram os dois guardas com ar satisfeito e de quem resolveu mais um problema. Olharam em redor e sorrindo um para o outro sairam fechando as portas.
Passados alguns minutos, Katerine fez sinal com a cabeça a Tom para a seguir e tocando no canto de uma parede, fez a mesma deslizar. Os dois saem e novamente ela toca no canto da parede mas desta vez pelo outro lado e a mesma volta a correr e fecha-se. Tom nem queria acreditar no que via. Em silêncio, Katerine acende uma pequena tocha que se encontrava no interior e na penumbra vêem-se umas escadas manhosas que descem umas e percorrem o que parecia ser um labirinto interminável de corredores húmidos e mal cheirosos. Tom nota que Katerine conhece bem aquele caminho. Quando por fim avista um pouco de claridade, Katerine novamente coloca o dedo na boca a pedir silêncio e com um cuidado estranho olha para fora do túnel, pára para escutar… faz sinal a Tom e saem.
Tom olhou para todos os lados e pensou – “Onde estamos?” – Mas logo de seguida reconheceu o edifício do laboratório AndroTech.
Mas que distância afinal tinham percorrido?… Aqueles corredores deviam atravessar o rio Tydra pelo fundo..
Quem seria Katerine afinal!?… Que fazia em Doneville?… Que laboratório era aquele?… O que escondiam aquelas ruínas?… Tom tinha imensas perguntas, mas não encontrava nenhuma resposta.
O mistério adensava-se e a sua imaginação começava a inquietá-lo. Quando chegaram ao OldWood, Black veio a correr ter com Tom felicíssimo. Depois da viagem toda em silêncio, Katerine com um sorriso recomendou a Tom um banho quente e mudando de expressão:
“Sr.Tom aconselho-o a que fique calado e não comente com ninguém o que viu e o que ouviu..” – Tom franziu o semblante e em silêncio acenou com a cabeça afirmativamente e subiu as escadas em direcção ao quarto, mas resolveu de imediato prolongar as suas férias até descobrir todo aquele mistério. Black seguiu atrás dele e, como que adivinhando o pensamento do seu dono, aninhou-se no seu sítio preferido, olhando em silêncio.
Depois de um duche quente e ainda molhado e enrolado na toalha, deitou-se por cima da cama a pensar e adormeceu por uns minutos, só acordando quando bateram à porta a chamar para o jantar. Vestiu-se e desceu. Quando chegou à sala, procurou um lugar onde pudesse ver a recepção para observar Katerine e ao mesmo tempo os turistas que animadamente já jantavam e falavam da viagem que fizeram e nos acontecimentos do temporal. Já no café, vê entrar o guarda Adam acompanhado pelo seu ajudante Dan Farrow com ar de caso. Tom com curiosidade crescente, vagueia com o olhar pela sala, mas sem nada ver e presta atenção ao que se fala na recepção. Katerine e Adam falam baixo e com preocupação. Algo de grave se tinha passado… Tom não se conteve, levantou-se e dirigiu-se para eles.
“Sr.Adam por aqui? Já jantou? Nao se quer sentar à minha mesa?”
“Agradeço Sr.Tom, mas não consigo engolir nada de momento. Sabe que apareceu um corpo a boiar no rio Tydra? Ninguém sabe quem é e o mais estranho é que nem roupa trazia. Já foi visto pelo médico legista e seguiu para fazer testes de ADN, pode ser que se descubra quem é… Coisas estranhas se andam a passar nesta cidade Sr.Tom, já é o segundo corpo que aparece… Tenha cuidado e não se afaste muito e ande sempre acompanhado.” – e virando-se para Katerine – “Já sabe, se notar algo de estranho, telefone imediatamente.. Não queremos correr nenhuns riscos depois disto. Boa noite e até amanhã” – acenou a Dan e ambos sairam.
Tom e Katerine olharam-se em silêncio e cada vez mais Tom tinha a certeza que ela escondia algo. Intrigado já não deu a sua volta do costume com Black e foi para o seu quarto pensar no que tinha acontecido naquele dia tão recheado de acontecimentos estranhos. De repente lembrou-se: “Será o homem de bata branca?”…
